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OS BÁRBAROS E O REINO DOS FRANCOS

Por meio de alianças políticas e da conquista militar, Clóvis, o rei dos francos, construiu um dos mais importantes e influêntes reinos de toda a Idade Média.


OS BÁRBAROS E O REINO DOS FRANCOS

Por Marcos Faber

Tradicionalmente o evento que simboliza o final da Antiguidade e, por consequência, o início da Idade Média é a queda do Império Romano, no ano 476. Os motivos para o final do domínio romano são vários, mas a grande consequência desta "queda" foi o surgimento de novos reinos nas terras que antes pertenciam aos romanos. Povos bárbaros, que habitavam as fronteiras imperiais, aproveitaram-se da crise romana para penetrar nas férteis terras que antes pertencera aos latinos. Cada um dos invasores fundou seu próprio reino, atendendo às necessidades territoriais e geográficas de cada um.

Os principais povos bárbaros invasores eram os Germanos divididos em francos, godos (visigodos e ostrogodos), saxões, anglos, suevos e vândalos; os Eslavos divididos em sérvios, russos e croatas; os Tártaros-Mongóis divididos em turcos e húngaros; e, por fim, a tão temida tribo dos Hunos, que liderados por Átila saquearam e destruíram dezenas de cidades.

Cada um destes povos invasores fundou seu próprio reino nas terras do extinto Império. Dentre estes reinos se destacaram o Reino dos Vândalos (localizado na Península Ibérica), o Reino dos Ostrogodos (na Península Itálica), o Reino dos Anglos e dos Saxões (na ilha da Grã-Bretanha) e o Reino dos Francos (localizado na região das atuais França e Alemanha).


A expressão vandalismo tem origem na forma violenta e devastadora com que as tribos vândalas atacaram o Império Romano no século IV. Tirinha acima: Frank & Ernest do cartunista Thaves.


O Reino dos Francos

Dentre todos os reinos bárbaros instalados nos territórios do extinto Império Romano, o Reino dos Francos foi o que mais se destacou.

Os francos eram tribos de origem germânica que habitavam a região na Europa Central, mais ou menos onde hoje está localizada a Alemanha. A expressão “franco” significa “livre” na língua frâncica. Contudo, a liberdade era relativa, já que as tribos francas tinham escravos e as mulheres, claro, não tinham os mesmos direitos dos homens.


O batismo de Clóvis. A Igreja tinha um novo aliado.

No século V, em busca de novas terras, os francos invadiram a Gália, região da atual França. Por meio da expansão militar, os francos incorporaram praticamente todos os territórios germânicos. Dominando quase todo o território Ocidental que fizera parte do Império Romano.

Mas o grande crescimento expansionista ocorreu mesmo quando Clóvis (482-511), um chefe guerreiro, unificou as diversas tribos francas debaixo de sua autoridade. Clóvis se tornou o primeiro rei dos francos, dando origem à Dinastia Merovíngia (homenagem a Meroveu, avô de Clóvis).

Não se sabe ao certo quais as verdadeiras intenções do rei franco, mas no ano 495, ocorreria um feito que transformaria a Europa e o mundo Ocidental para sempre: Clóvis converte-se ao cristianismo, formando aliança com a Igreja Católica.

O que é certo é que a aliança trouxe benefícios para os dois lados. Se para a Igreja romana a aliança representou ter ao seu lado uma importante proteção militar, perdida desde a queda de Roma. Para Clóvis a aliança representava a legitimação de seu reino frente aos outros povos bárbaros submetidos ao domínio franco. Mas não só isso, a unificação religiosa proporcionada pela Igreja eliminou as diferenças religiosas entre as tribos anexadas ao Reino dos Francos.

Militarmente bem sucedidos, os francos conquistam a região da Germânia, atual Alemanha, territórios que nem mesmo os romanos haviam conquistado.

Mas no ano 511, o rei Clóvis morre e o reino dos francos acaba sendo dividido por seus 4 filhos. Entretanto, devido à rivalidade entre os irmãos, o reino fica enfraquecido. Os reis deste período ficam conhecidos como os “reis débeis”, já que pouco-a-pouco foram perdendo influência para os membros da aristocracia.

Entre os reis descendentes de Clóvis, destacou-se Dagoberto, que foi responsável pela reunificação do reino. Dagoberto também impediu que invasores estrangeiros tomassem os territórios francos.

Batalha medieval representada por bonecos da marca alemã Schleich (objetos do acervo do Museu de Brinquedo - foto: Marcos Faber).

Entretanto, ao falecer, Dagoberto não deixou herdeiros. Com isso, Carlos Martel, um importante general do exército e também um mordomo de palácio (espécie de primeiro ministro), assumiu as rédeas do reino. Entre os grandes feitos de Martel está a vitória na Batalha de Pointers, no ano 732, quando o grande general venceu os mouros (muçulmanos) que tentavam invadir o sul da França. Esta batalha põe fim a expansão muçulmana na Europa.

Após a morte de Carlos Martel, seu filho, Pepino o Breve é coroado rei, iniciando a Dinastia Carolíngia (em homenagem ao falecido pai). Com Pepino os francos voltam a prosperar e a se aproximar da Igreja. Ao expulsar os lombardos da Itália, Pepino doa as terras lombardas à Igreja Católica, reestabelecendo uma importante aliança política-religiosa que durará por toda o seu reino.





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