Partenon em Atenas, Grécia. O Templo foi construído no século V a.C. em homenagem à deusa Atenas.
BREVE HISTÓRIA DA GRÉCIA ANTIGA
Por Marcos Faber
Ao
estudarmos a história grega, precisamos entender que a Grécia Antiga não era
formada por um Estado único e centralizado. Na verdade, a região era habitada
por várias tribos independentes, que muitas vezes rivalizavam entre si.
Destas
tribos se destacaram os aqueus (que fundaram o Reino de Minos), os eólios
(Macedônia), os dórios (Esparta) e os jônios (Atenas). Portanto, os gregos não
eram um único povo, mas a mistura de várias tribos de origem indo-europeia que
chegaram à região em épocas diferentes.
Na
região onde se instalou, cada uma das tribos fundou uma importante
cidade-Estado, das quais se destacaram Esparta e Atenas.
Para
melhor entendermos a estrutura política e administrativa das diferentes
cidades-Estados precisamos compreender o conceito de polis. Segundo a
pesquisadora Marilena Chauí, as polis eram cidades-Estados, entendidas como
comunidades organizadas, independentes e autossuficientes. Sendo Esparta
principais polis gregas da antiguidade.
Estátua do grande filósofo grego Sócrates.
As
polis gregas eram independentes e tinham, cada uma, um sistema administrativo
próprio. Se a democracia nasceu em Atenas, em Esparta ela nunca teve espaço. Se
os atenienses cultivavam a filosofia e as artes, os espartanos viviam em uma
sociedade militarizada e rigidamente controlada.
Ilustração da HQ "Os 300 de Esparta" de Frank Miller. Em 2007, o quadrinho recebeu uma versão cinematográfica.
No
campo político-econômico, as duas cidades viviam da agricultura, da pecuária e
do comércio de longa distância. Para melhorar suas relações comerciais e
militares, Esparta fundou a Liga do Peloponeso (nome da região sul da Grécia,
onde ficava a cidade). Longe de ser forjada por acordos pacíficos, a Liga do
Peloponeso recrutava seus membros na base da imposição militar.
Para
não ficar para trás, Atenas fundou a Liga de Delos (em 476 a.C.). Com isso, os
atenienses também lideravam uma confederação de cidades-Estados independentes.
A liderança na Liga de Delos impulsionou a economia ateniense. A prosperidade
da cidade possibilitou a modernização da polis. A riqueza permitiu o surgimento
de uma classe ociosa de intelectuais e, com isso, as artes e a filosofia
ganharam grande impulso. O auge da cidade ocorreu durante o governo democrático
de Péricles (461-431 a.C.). Apesar de garantir grande prosperidade à Atenas,
foi também nesta época que a rivalidade com os espartanos foi acentuada.
Somente
a ameaça do Império Persa uniu as duas polis gregas. As Guerras Medicas (contra
o império Medo Persa) obrigaram as duas cidades-Estados a deixarem suas
divergências de lado para lutarem unidas contra os exércitos de Dário e Xerxes.
É uma grande fantasia imaginar que os soldados espartanos lutariam seminus em suas batalhas, como foi retradado no filme 300 (300, EUA, 2007).
O
filme 300 (EUA, 2007), baseado na graphic novel Os 300 de Esparta (1998) de
Frank Miller, retrata a história do combate entre a elite do exército
espartano, formada por 300 hoplitas liderados pelo rei Leônidas, e o poderoso
exército da Pérsia. A Batalha das Termópilas (480 a.C.) se tornou o primeiro
capítulo da vitória grega que aconteceria anos mais tarde.
Contudo,
a vitória sobre os persas não representou a paz da região, ao contrário, a
rivalidade entre atenienses e espartanos se tornou ainda maior. As disputas
entre as duas polis chegou ao ápice com a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.).
Nesta guerra, Esparta e Atenas, e suas respectivas ligas, enfrentaram-se em uma
batalha terrível. A vitória dos espartanos causou perdas severas para as duas
cidades. Atenas, derrotada, nunca mais seria a mesma e Esparta não teria fôlego
suficiente para liderar a Grécia sozinha.
Aproveitando-se
do vácuo no poder grego, os exércitos macedônicos, do rei Felipe II, invadiram
a região. O Reino da Macedônia, um reino grego localizado no norte da região,
tornou-se a nova potência da época. Nos anos que se seguiriam, o rei Alexandre,
filho de Felipe, venceria definitivamente os persas, em 331 a.C., incorporando
seus territórios à Grécia. Seria ele, Alexandre o grande, o responsável por
fundir a cultura e a civilização grega com a oriental (do Império Persa), desta
união resultaria a Civilização Helênica, da qual a Civilização Ocidental atual
é herdeira.




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