Pular para o conteúdo principal

A REFORMA PROTESTANTE DE MARTINHO LUTERO

Para Lutero a salvação somente poderia ser alcançada por meio da fé em Jesus Cristo. Para ele a fé e a salvação eram processos individuais e intrasferíveis. Acima, Joseph Fiennes interpreta Lutero (Luther, Alemanha/EUA, 2003).

A REFORMA PROTESTANTE DE MARTINHO LUTERO

Por Marcos Faber

Ao questionar a visão de mundo teocêntrica (que coloca a religião no centro da sociedade), o humanismo renascentista foi como uma bomba que abalou as estruturas da Igreja Católica Apostólica Romana. Muitos intelectuais passaram a criticar abertamente as doutrinas católicas. Mesmo entre os religiosos surgiram pessoas que contestavam o poder excessivo que a Igreja desempenhava na sociedade.


Apesar disso, o humanismo ainda se restringia ao meio intelectual, não atingindo as camadas populares da sociedade. Essa situação somente se modificou quando as ideias humanistas chegaram à religião.


E o ambiente propício para isso foi encontrado na região da Alemanha. Pois no começo do século XVI não existia uma Alemanha unificada como conhecemos hoje. Na região existiam vários pequenos reinos e principados que, por sua vez, estavam abrigados debaixo do enfraquecido Sacro Império Romano. Na região, a economia era muito atrasada se comparada a outras áreas da Europa. A nobreza constituía a camada social dominante e a clero (padres, monges e bispos), apesar de dominarem no aspecto ideológico, não tinham o mesmo domínio político que desfrutavam em outras regiões.


Para piorar a situação de miséria do povo, no início do século XVI, chagaram a região cobradores de indulgências (documento que garantia o perdão dos pecados ao portador). Os “padres indulgentes” tinham por missão vender o máximo de documentos expiatórios que pudessem aos empobrecidos camponeses alemães.


Foi dentro deste contexto que surgiu o monge católico Martinho Lutero (1483-1546).


Lutero, assim como muitos monges da época, não concordava com a “venda do perdão” e, muito menos, com a exploração que seus conterrâneos estavam submetidos. Com isso, em outubro de 1517, Lutero afixou na porta do castelo de Wittenberg suas famosas 95 Teses. Nelas, o monge alemão, defendia a extinção das indulgências e condenava o luxo de que desfrutava o papa em Roma. Para surpresa do alto clero romano, Lutero obteve o apoio de praticamente todos os setores da sociedade alemã.


Lutero fixando as 95 Teses na porta do castelo de Wittenberg, 31 de outubro de 1517.


Com isso, o papa Leão X exigiu que Martinho Lutero se arrependesse e se retratasse. Como o monge negou-se, foi excomungado (expulso da Igreja) pelo papa. Fato que levou uma série de nobres alemães a se desligarem da Igreja de Roma.


Livre das limitações teológicas a que estava submetido, Lutero passou a escrever uma série de livros e tratados onde defendia a revitalização (uma espécie de renascimento religioso) da Igreja Cristã. Nestes livros, Lutero estabeleceu a Bíblia como a mais alta autoridade doutrinária da Igreja. Para ele, todas as doutrinas deveriam ter a Bíblia como fundamento.


Para Lutero, a salvação era fruto direto da fé do cristão em Deus. Ao contrário do que defendiam os católicos, para o reformador, não havia intermediários entre os homens e Deus. A salvação somente poderia ser alcançada pelo relacionamento entre o fiel e Deus.


Enquanto Igreja Católica defendia ser ela mesma a intermediária entre os homens e Deus. Lutero, em palavras simples, afirmava que a Igreja não era o caminho até o Senhor, o papel da Igreja era o e apontar o caminho até Deus. Mas, mesmo que criticasse a atuação da Igreja, Lutero defendia a existência dela, pois, o fiel necessitava fazer parte da Igreja (que era o Corpo de Cristo).


Ao determinar que as Sagradas Escrituras eram a autoridade máxima no que se refere à doutrina religiosa, a Reforma Protestante possibilitou que muitos dogmas fossem questionados. E, não por acaso, surgissem dezenas de denominações cristãs independentes.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

UMA BREVE HISTÓRIA DO EGITO ANTIGO

  UMA BREVE HISTÓRIA DO EGITO ANTIGO Por Marcos Faber   O Egito Antigo é, sem sombra de dúvidas, a civilização da antiguidade que mais desperta o interesse do público em geral. E os motivos para isso são muitos. Afinal, os artefatos arqueológicos, os templos, as múmias, as pirâmides e as ruínas de construções milenares nos mostram uma cultura incrível e única. Nenhuma outra sociedade da antiguidade possui, hoje, tantas referências como a egípcia. Sua fascinante história de quase três milênios inicia por volta do ano 3100 a.C., quando o Egito ainda estava dividido em dois reinos distintos, já o seu término ocorre com a conquista macedônica em 332 a.C., quando as tropas lideras por Alexandre Magno  subjugaram o Egito. Os egípcios nunca denominaram sua terra de “ Egito ”, esta expressão é deriva do grego antigo “ Aigyptos ”, significando algo como “ mansão de Pta ”, e era como os gregos  chamavam os territórios em torno do Nilo. Os egípcios chamavam sua terra nata...

O POPULISMO: VARGAS, JUCELINO KUBITSCHEK, JÂNIO QUADROS E JOÃO GOULART

  Brasília seria inaugurada em 1961 por Jucelino Kubitschek seu idealizador. O POPULISMO: VARGAS, JUCELINO KUBITSCHEK, JÂNIO QUADROS E JOÃO GOULART Por Marcos Faber Introdução O Populismo não é um sistema de governo, mas uma forma de governar. Os políticos populistas utilizam de vários expedientes para obter o apoio do povo. Pois o populismo não existe sem que exista uma grande popularidade e carisma do líder. Para isso, o político populista utiliza de uma linguagem simples e acessível a todos. Outro expediente de muita importância é a propaganda pessoal, onde o político é apresentado como diferente dos demais. Normalmente apresentado como uma espécie de salvador da pátria. Contudo, na prática, o populista adota medidas autoritárias, desrespeitando os outros poderes (Legislativo e Judiciário), também desacredita os outros partidos políticos e ataca as instituições democráticas. Normalmente o populismo está presente em momentos de grave crise política ou econômica e, ass...

AS PRIMEIRAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO SOCIAL ENTRE OS HUMANOS

  AS PRIMEIRAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO SOCIAL ENTRE OS HUMANOS Por Marcos Faber As primeiras formas de organização que os seres humanos conheceram foi a tribal, geralmente estas tribos estavam organizadas dentro de uma hierarquia  patriarcal . Do chefe tribal aos grupos familiares, a figura masculina era a autoridade. Devido a isso, os homens ocupavam praticamente todos os postos de decisão da tribo. Inicialmente as tribos eram  nômades , isto é, não habitavam uma região fixa, pois migravam de acordo com as necessidades coletivas. Principalmente quando ocorria a diminuição dos recursos naturais da região de habitação (diminuição de alimentos) ou mudanças climáticas (chegada do inverno ou início do período de chuvas). A  sociedade tribal  do período nômade estava fundamentada em dois grupos (classes): homens e mulheres. Esta divisão era estabelecida pela divisão das tarefas (trabalho). Aos homens cabia o ofício da caça, da pesca e da proteção da tribo, portanto...