A REFORMA PROTESTANTE DE MARTINHO LUTERO
Ao questionar a visão
de mundo teocêntrica (que coloca a religião no centro da sociedade), o
humanismo renascentista foi como uma bomba que abalou as estruturas da
Igreja Católica Apostólica Romana. Muitos intelectuais passaram a criticar
abertamente as doutrinas católicas. Mesmo entre os religiosos surgiram pessoas
que contestavam o poder excessivo que a Igreja desempenhava na sociedade.
Apesar disso, o
humanismo ainda se restringia ao meio intelectual, não atingindo as
camadas populares da sociedade. Essa situação somente se modificou quando as
ideias humanistas chegaram à religião.
E o ambiente propício
para isso foi encontrado na região da Alemanha. Pois no começo do século XVI
não existia uma Alemanha unificada como conhecemos hoje. Na região existiam
vários pequenos reinos e principados que, por sua vez, estavam abrigados debaixo
do enfraquecido Sacro Império Romano. Na região, a economia era muito atrasada
se comparada a outras áreas da Europa. A nobreza constituía a camada
social dominante e a clero (padres, monges e bispos), apesar de dominarem no
aspecto ideológico, não tinham o mesmo domínio político que desfrutavam em
outras regiões.
Para piorar a
situação de miséria do povo, no início do século XVI, chagaram a região
cobradores de indulgências (documento
que garantia o perdão dos pecados ao portador). Os “padres indulgentes” tinham
por missão vender o máximo de documentos expiatórios que pudessem aos
empobrecidos camponeses alemães.
Foi dentro deste
contexto que surgiu o monge católico Martinho Lutero (1483-1546).
Lutero, assim como
muitos monges da época, não concordava com a “venda do perdão” e, muito menos,
com a exploração que seus conterrâneos estavam submetidos. Com isso, em outubro
de 1517, Lutero afixou na porta do castelo de Wittenberg suas famosas 95 Teses.
Nelas, o monge alemão, defendia a extinção das indulgências e condenava o luxo
de que desfrutava o papa em Roma. Para surpresa do alto clero romano, Lutero
obteve o apoio de praticamente todos os setores da sociedade alemã.
Lutero
fixando as 95 Teses na porta do castelo de Wittenberg, 31 de outubro de 1517.
Com isso, o papa Leão
X exigiu que Martinho Lutero se arrependesse e se retratasse. Como o monge negou-se,
foi excomungado (expulso da Igreja) pelo papa. Fato que levou uma série de
nobres alemães a se desligarem da Igreja de Roma.
Livre das limitações
teológicas a que estava submetido, Lutero passou a escrever uma série de livros
e tratados onde defendia a revitalização (uma espécie de renascimento religioso)
da Igreja Cristã. Nestes livros, Lutero estabeleceu a Bíblia como a mais alta
autoridade doutrinária da Igreja. Para ele, todas as doutrinas deveriam ter a
Bíblia como fundamento.
Para Lutero, a
salvação era fruto direto da fé do cristão em Deus. Ao contrário do que
defendiam os católicos, para o reformador, não havia intermediários entre os
homens e Deus. A salvação somente poderia ser alcançada pelo relacionamento
entre o fiel e Deus.
Enquanto Igreja
Católica defendia ser ela mesma a intermediária entre os homens e Deus. Lutero,
em palavras simples, afirmava que a Igreja não era o caminho até o Senhor, o
papel da Igreja era o e apontar o caminho até Deus. Mas, mesmo que criticasse a
atuação da Igreja, Lutero defendia a existência dela, pois, o fiel necessitava
fazer parte da Igreja (que era o Corpo de Cristo).



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