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A FAMÍLIA REAL PORTUGUESA NO BRASIL

Família Real Portuguesa desembarcando no Brasil.

A FAMÍLIA REAL PORTUGUESA NO BRASIL

Por Marcos Faber

Mesmo que nos séculos XV e XVI, Portugal tenha construído um importante Império Ultramarino, a verdade é que os portugueses nunca desenvolveram uma indústria manufatureira. Em consequência disso, Portugal sempre se manteve dependente dos produtos industrializados ingleses.


Assim, quando Napoleão impôs os Bloqueio Continental à Inglaterra, Portugal não pôde obedecer às ordens napoleônica. Pois a economia portuguesa era completamente dependente da inglesa. Em represália, Napoleão deu ordem às tropas francesas para que invadissem o país em 1808.


Entretanto, pouco antes disso acontecer, a Família Real Portuguesa, liderada pela rainha Maria I (1734-1816), conhecida como a 'rainha louca', e seu filho Dom João (1767-1826), o príncipe regente, partiram em fuga para o Brasil, então uma colônia portuguesa. 


|Entretanto, não foi somente a família real que partiu em fuga dos franceses. Praticamente todos os que tinham condições de arcar financeiramente com uma viagem até o Brasil fugiram das tropas napoleônicas. Acredita-se que  entre 10 mil e 15 mil portugueses fugitam para o Brasil, entre eles estavam, principalmente, nobres, cortesãos, burgueses e comerciantes. 


A Abertura dos Portos


Uma vez na América, Dom João assinou o decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas (a expressão “nações amigas” pode ser entendida por Inglaterra). Esse importante documento rompeu com as regras do Pacto Colonial,  acordo que proibia a colônia de comercializar com outras nações que não fossem à metrópole, isto é, Portugal. A medida era resultado de negociações entre a coroa lusitana e a Inglaterra. Contudo, o pacto também servia para abastecer o Brasil com mercadorias europeias.


* Pacto Colonial foi um sistema de políticas comerciais que restringia o comércio das colônias portuguesas apenas à metrópole (Portugal). A lógica do Pacto Colonial mantinha as colônias portuguesas sob o domínio da metrópole.


Outra medida de extrema importância foi a elevação do Brasil à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. Com isso, o Brasil deixava definitivamente de ser uma colônia portuguesa para tornar-se parte importante do Império Português.


A Revolução Liberal do Porto


Em 1820 ocorreu na cidade do Porto, em Portugal, uma revolução liberal. Os revoltosos comerciantes portugueses exigiam, entre outras coisas, o retorno do rei Dom João VI ao país e também que o Brasil retornasse à condição de colônia portuguesa, ou seja, que as regras do Pacto Colonial fossem restabelecidas, isto é, que o Brasil somente poderia comercializar com a metrópole portuguesa.


Ao ficar na colônia, Dom Pedro representava uma garantia de que a Família Real não perderia o controle sobre o Brasil. Em caso de uma independência era preferível que ela ocorresse por meio de um nobre da família Bragança. Acima, trecho da história em quadrinhos Dom João Carioca de Lilia Moritz Schwartz e Spacca.


Atendendo à pressão de seus patrícios portugueses, Dom João decidiu retornar para Portugal. No Brasil, o monarca deixou seu filho, Dom Pedro de Alcântara, o príncipe herdeiro. Com isso, Pedro de Alcântara era nomeado como o regente da colônia. A decisão de Dom Pedro de Alcântara em manter-se no brasil ficou historicamente conhecida como o Dia do Fico.

O Dia do Fico

Foi em 9 de janeiro de 1822 que Dom Pedro (1798-1834), atendendo ao apelo das elites coloniais e da população comum, decide ficar no Brasil. Essa decisão desobedecia a ordem da corte portuguesa para que voltasse a Portugal.

“Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico".




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